Com a chegada de uma opção híbrida ao Dacia Jogger, essa mistura de propostas fica ainda mais atraente.
Se houvesse um tipo de “ranking” dos carros mais racionais de cada mercado, é bem provável que o Dacia Jogger aparecesse no topo de muitas listas.
O projeto nasceu para agradar o maior número possível de pessoas, cumprindo os requisitos mais procurados. Ainda assim, o ponto decisivo continua sendo o preço.
Até aqui, o Dacia Jogger era oferecido com um motor a gasolina de 110 cv e também com uma alternativa a GPL de 100 cv, bastante interessante.
Só que nem a Dacia escapa ao avanço da eletrificação e, depois do elétrico Spring, chegou a vez de o Jogger estrear o primeiro conjunto híbrido da marca.
Essa novidade aparece justamente no momento em que a Dacia também acaba de atualizar a sua identidade. O logotipo é novo e há ainda retoques de estilo em todos os modelos da linha.
Herança tecnológica do Dacia Jogger Hybrid 140
O Jogger Hybrid 140 aproveita do Renault Clio E-Tech Full Hybrid o seu sistema híbrido. No conjunto há um motor a gasolina e dois motores elétricos - embora cada um desempenhe uma função diferente.
Um deles entrega 50 cv e consegue mover o Jogger quando o motor a combustão está desligado. O outro faz o papel do motor de partida e do gerador. Para coordenar tudo, existe uma caixa automática com atuadores elétricos, desenvolvida especificamente para esse sistema híbrido.
Para abastecer a parte elétrica, há uma bateria compacta de 1,2 kWh, montada de forma inteligente no espaço antes reservado ao estepe. Ela ocupa exatamente a mesma área onde fica o cilindro de GPL na versão ECO-G.
Por isso, o Dacia Jogger Hybrid 140 mantém a capacidade máxima de sete lugares, sem sacrificar o espaço interno.
O tr(i)unfo do sistema híbrido na cidade
Ao assumir o volante e sem pensar duas vezes, levei o carro direto para o centro. Com o ar-condicionado ligado e o modo ECO ativado, procurei dirigir do jeito mais econômico e tranquilo possível.
Aproveitei ao máximo as descidas e as fases de desaceleração, e em alguns momentos passei o seletor do câmbio para o modo “B”, que aumenta a regeneração de energia.
No uso urbano, o motor a combustão é dispensado em várias situações e o elétrico fica sempre pronto para entrar em ação. Inclusive, na cidade, a versão híbrida do Jogger roda em modo 100% elétrico por mais de 50% do tempo.
Isso é fácil de acompanhar pelo painel, que exibe em tempo real como o sistema está operando - qual motor está ativo e para onde a energia está sendo direcionada.
O motor a gasolina só é chamado com mais frequência quando aparece uma subida mais forte, ou quando é preciso repor carga na bateria. As saídas acontecem sempre em modo elétrico e, com cuidado no acelerador, dá para avançar por alguns metros em “zero emissões”.
Não demorou para ficar clara a maior vantagem desse híbrido, com uma média de 4,1 l/100 km. Em alguns trajetos, a média chegou até a ficar abaixo de quatro litros.
Mais apetite em autoestrada
Ao deixar a cidade e entrar na autoestrada, o Dacia Jogger Hybrid já não impressiona tanto em eficiência. A dependência do motor a combustão aumenta - e isso aparece no consumo.
Mesmo assim, apesar do “esforço”, o número não foi para um patamar assustador. Cheguei a ver seis litros, mas na maior parte do tempo a média ficou perto dos cinco.
No fim do ensaio, somando cidade, estrada e autoestrada, registrei 4,9 l/100 km. Ou seja, exatamente o valor oficial no ciclo combinado WLTP.
Ritmo mais alto se traduz em mais ruído
Ainda sobre a autoestrada: com velocidade e rotações mais altas, o isolamento acústico mostrou suas limitações. Isso me faz querer recorrer mais vezes ao modo 100% elétrico.
Além do barulho do motor, e como acontece nos outros Jogger, também há alguns ruídos aerodinâmicos a considerar.
No geral, porém, essa combinação de conceitos proposta pela Dacia continua entregando uma suspensão robusta e um rodar confortável, com boa capacidade de absorção - inclusive quando o asfalto está mais castigado.
Interior mais evoluído
Entre todos os Dacia que já dirigi, o Jogger ainda é o que passa a sensação de cabine mais caprichada. Claro, os plásticos duros continuam lá e alguns comandos são antigos, herdados de modelos da Renault - algo que já se espera antes mesmo de entrar.
Ainda assim, neste nível de equipamento Extreme, há revestimentos em tecido que deixam o ambiente mais agradável, além de uma percepção de robustez acima da média.
O painel de instrumentos digital e a tela central com Apple CarPlay ou Android Auto (sem fio) também ajudam a construir uma imagem mais moderna.
Fora isso, no Dacia Jogger Hybrid não existem grandes mudanças físicas em relação às demais versões da gama que já passaram pela Razão Automóvel.
Na prática, são sete lugares de verdade, com a terceira fileira não limitada apenas a crianças. E, se não for necessária, dá para remover essas duas poltronas e deixá-las em casa.
Uma “sala” sobre rodas que dá para levar junto
Com sete lugares, o porta-malas fica por volta de 160 l; sem a terceira fileira, o espaço disponível quase chega a 700 l.
E, ao retirar também a segunda fileira, o interior fica tão amplo que, se a ideia for acampar, nem é obrigatório levar barraca. Dá para dormir dentro do Dacia Jogger.
Inclusive, na lista de acessórios, a marca oferece um kit de cortinas opacas (220 €), que isola totalmente o interior. Há também uma barraca para três pessoas (430 €), com quarto integrado, que se encaixa na parte traseira do Jogger.
Depois disso, só falta decidir (ou não) o destino e começar a acumular quilômetros com o Dacia Jogger Hybrid. Seja em dupla ou com sete pessoas, é um modelo que parece pronto para qualquer tipo de aventura.
Diretamente para o topo da gama
O Dacia Jogger Hybrid 140 é o Jogger mais caro de todos, mas também é o híbrido mais barato do mercado.
Os 140 cv de potência máxima combinada acabam funcionando como uma “compensação” pelo preço superior, fazendo deste Jogger o mais forte e o mais rápido da linha.
O preço base é de 28 850 euros, mas no caso da unidade ensaiada, ascende aos 30 900 euros. Isso representa mais 7200 euros do que a opção a GPL no mesmo nível de equipamento - uma diferença relevante, explicada pelo custo extra do sistema híbrido.
Talvez por esse salto de preço, a versão híbrida do Jogger é vendida apenas no nível mais completo, o Extreme. E somente com a configuração de sete lugares.
Híbrido ou GPL?
Vale a pena escolher o Jogger híbrido em vez do GPL, mesmo com a diferença grande de preço? Vamos fazer as contas.
Vamos usar os consumos obtidos pelo Miguel Dias quando testou o Jogger ECO-G: 9,1 l/100 km a GPL e 7,0 l/100 km a gasolina. Comparando com os 4,9 l/100 km que registrei com o Jogger Hybrid, como isso fica em euros a cada 100 km?
Considerando o preço dos combustíveis na data de publicação deste teste, os consumos medidos representam 6,90 €/100 km para o GPL e 11,76 €/100 km para a gasolina no Jogger ECO-G; e 8,23 €/100 km para a gasolina usada no Jogger Hybrid.
Se vocês rodarem majoritariamente a GPL no Jogger ECO-G, a vantagem em custo de combustível por 100 km frente ao Jogger Hybrid será sempre do ECO-G - que, além disso, custa 7200 euros a menos.
Onde o Jogger Hybrid pode virar o jogo é em um uso praticamente só urbano, em que os seus consumos caem ainda mais e os do Jogger ECO-G sobem.
Mesmo assim, levem este número em conta: os 7200 euros de diferença entre os dois permitem comprar aproximadamente 9500 l de GPL, o que equivale a rodar mais de 100 mil quilômetros.
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