Uau, um novo BMW Série 5 com um seis-em-linha a gasolina de verdade?
Sim. Nós já guiámos este carro em versão totalmente elétrica. A opção mais barata da gama vem com um quatro-cilindros a gasolina. Já este 550 traz um seis-em-linha - que beleza -, mas quando você vê o nome completo, percebe que a história é um pouco mais complexa. Ele se chama 550e xDrive M Sport.
Vamos decodificar esse “alfabeto”. O e indica que é um híbrido plug-in (PHEV). O xDrive coloca as rodas dianteiras para tracionar junto com as traseiras. E o pacote M Sport não é só aparência: o principal é que ele inclui direção ativa nas rodas traseiras e amortecimento adaptativo.
Esse conjunto de tecnologias de trem de força e de chassi cria um carro com mais de uma personalidade. Melhor ainda: todas essas “faces” funcionam muito bem em conjunto.
Aliás, o novo Série 5 existe como gasolina puro, PHEV e elétrico (EV). E, na Europa continental, até como diesel. Mas não por aqui. Pena - eu testei o 520d xDrive e ele é macio e rápido o bastante, além de muito econômico.
Certo, comece pela potência do 550e.
Um seis-em-linha 3,0 litros turbo a gasolina já é, por si só, bem tentador. Acoplado a ele, há um motor elétrico. Somando os dois, a potência combinada chega a 489bhp, suficiente para fazer 0-100 km/h em 4,3 segundos.
Mesmo no modo híbrido, a conversa entre as duas fontes de energia é excelente: quando o motor a combustão entra e sai de cena, quase nunca aparece qualquer tranco.
No modo esportivo, o seis-em-linha - cheio de giro e com uma sonoridade gostosa - praticamente não descansa. A ajuda extra do elétrico, junto com as reduções muito prontas do câmbio, faz com que você esteja sempre “no boost”. O resultado é um carro que acelera de um jeito quase absurdo.
E como plug-in?
Rodando no modo elétrico, há desempenho suficiente para o uso diário em áreas urbanas e suburbanas - o motor entrega 197bhp sozinho. Na prática, ele sustenta velocidade de estrada, mas demora um pouco para chegar lá.
A bateria tem 19,4kWh. Dependendo dos pneus, isso rende uma autonomia WLTP de cerca de 97 km, então, com carregador em casa ou no trabalho, dá para cobrir bem a quilometragem do dia a dia.
Isso também derruba as emissões para uma faixa de 19 a 23g/km de CO2, um prato cheio para quem usa carro corporativo.
E o chassi?
Aqui, de fato, parecem dois carros em um. Ambos passam muita confiança e têm boa aderência, mas o comportamento muda bastante.
No modo conforto (que, de forma meio esquisita, aparece como "personal"), ele vira um sedã de “navegar”: flutua com uma maciez que você esperaria de um Mercedes grande. A direção é precisa, mas pede movimentos amplos e mais varridos. É excelente para viagens longas, sem pressa. E a tração integral (4WD) traz aquela sensação de segurança extra.
Basta deslizar a tela para o modo esportivo e tudo se transforma. A direção nas quatro rodas encurta, na prática, a distância entre-eixos, deixando o volante mais rápido e com sensação mais afiada. A suspensão fica mais firme, e a rolagem inicial de carroceria é contida. O ESP afrouxa um pouco e, ao sair de uma curva fechada, dá para sentir o viés de torque para trás. O motor ganha um timbre mais encorpado e o câmbio fica mais esperto. Vira uma máquina de dirigir, conectada aos seus sentidos.
É impressionante como uma série de sistemas, todos sob controle digital, consegue parecer tão natural e “vivo”. Mas consegue.
(E, a propósito: entre os i5 elétricos, o eDrive40 não traz direção nas quatro rodas nem suspensão adaptativa, enquanto o M60 xDrive traz. Você percebe já no primeiro quilômetro.)
Fora isso?
Clique nestas palavras para ver nossa avaliação do i5 e entender melhor a cabine e as alternativas de conjuntos elétricos.
E o veredito?
O 550e xDrive tem os mesmos problemas que eu: é grande e feio. Eu só queria ser tão esperto e tão boa companhia quanto ele.
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