O Lamborghini Diablo GT1 é um «animal» difícil de encontrar, já que, ao longo das décadas, a prioridade da marca italiana esteve muito mais nos carros de rua do que nas pistas.
A exuberância dos seus modelos normalmente não nascia sob as exigências das corridas - o que, ainda assim, não impediu algumas investidas pontuais. A versão GT1 do Diablo é uma das provas mais claras dessa ambição.
A era de ouro da categoria GT1 nos anos 1990
A classe GT1 viveu um período de enorme popularidade na segunda metade dos anos 1990. Em Le Mans e em outros campeonatos de endurance, carros como o McLaren F1 GTR, o Mercedes-Benz CLK GTR e o Porsche 911 GT1 dominavam as atenções.
Foi nesse contexto que a Lamborghini decidiu apresentar sua própria proposta para o GT1, em 1997.
O projeto GT1 do Lamborghini Diablo GT1 e as mudanças no carro
O desenvolvimento ficou nas mãos dos franceses da Signes Advanced Technology (SAT), responsáveis por transformar profundamente o Diablo usado como base.
A carroceria passou a ser feita em fibra de carbono. Na dianteira, surgiram um enorme spoiler e saídas de ar no capô. Já a traseira - totalmente redesenhada - podia ser removida por completo, permitindo acesso livre ao V12. O modelo também abandonou os faróis retráteis, um detalhe que mais tarde seria adotado pelo Diablo de rua.
A SAT ainda revisou a geometria da suspensão, enquanto o interior recebeu uma roll cage integral. Para fechar o pacote, a transmissão manual deu lugar a um câmbio sequencial Hewland de seis marchas.
V12 ainda maior
O coração do Diablo, o seu impressionante V12 aspirado, também passou por alterações, mas conduzidas pela própria Lamborghini. Se, no Diablo de rua, ele tinha 5,7 l e entregava entre 492 cv e 530 cv, no Diablo GT1 o regulamento permitia aumentar a cilindrada para 6,0 l e elevar a potência para 600 cv.
Com isso, o curso do V12 foi ampliado para chegar aos 6,0 l máximos previstos, e o sistema de injeção também foi modificado. O resultado, segundo algumas fontes, teria sido bem mais agressivo: 665 cavalos, acima dos 600 cv regulamentares.
Homologação e o nascimento do Diablo GT1 Stradale
Para homologar o carro de competição dentro das regras da época, era obrigatório fabricar ao menos 25 unidades de rua do mesmo modelo - e é justamente aí que entra o Lamborghini Diablo GT1 Stradale.
Na prática, porém, das 25 unidades planejadas, apenas duas foram realmente construídas. Foram esses dois carros que a SAT apresentou à Lamborghini e à FIA para viabilizar a homologação no GT1.
E por que só duas? Porque a Lamborghini atravessava mais um período turbulento, ou seja, estava prestes a mudar novamente de controle.
A fabricante de Sant’Agata Bolognese estava em processo de aquisição pela Audi e, sem saber se os novos donos manteriam os projetos em andamento, a Lamborghini optou por interromper, a tempo, os investimentos no desenvolvimento do novo carro. Assim, chegava ao fim o programa Diablo GT1.
O destino das duas unidades construídas
Mesmo assim, as duas unidades do Diablo GT1 Stradale não ficaram com a Lamborghini. Ambas foram vendidas: uma amarela (a que aparece nas imagens) e outra branca.
A unidade branca foi comprada por um clube de proprietários Lamborghini no Japão. Curiosamente, o carro acabou indo para o campeonato japonês GTC, onde correu por alguns anos.
A segunda unidade, a amarela que mostramos no vídeo abaixo, permaneceu com a SAT.
Mais tarde, a SAT vendeu o Lamborghini Diablo GT1 Stradale em 2016. Ele ficou com a Mistral Motors (responsável por algumas das imagens), e o vídeo foi gravado nesse período pelo canal NM2255 Car HD Videos.
Não demorou muitas semanas para esse Diablo raríssimo ganhar um novo dono, por um valor não revelado - mas, sem dúvida, impressionante, assim como o próprio carro.
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