A menos que haja alguma reviravolta, a mobilidade na Europa caminha para a eletrificação completa. Em outras regiões do mundo, porém, a redução de emissões ainda não acompanha esse nível de ambição europeia.
Nesse contexto, a Exxon Mobil Corp. e a Toyota Motor Corp. firmaram uma parceria para colocar à prova combustíveis de baixo carbono em motores a gasolina - uma alternativa que, em tese, pode ajudar a diminuir as emissões dos carros com motor a combustão. Seria uma espécie de gasolina verde, sem dependência dos combustíveis fósseis tradicionais.
Essa gasolina verde de nova geração não é sintética e também não é produzida a partir de hidrogênio. Ela é feita com matérias-primas mais limpas e, no curto prazo, pode reduzir as emissões de gases de efeito estufa de motores de combustão interna em até 75%, segundo Andrew Madden, vice-presidente de estratégia e planejamento da Exxon, com base nos resultados iniciais dos testes.
Gasolina verde totalmente compatível
Nos testes, a gasolina verde se mostrou totalmente compatível com os motores atuais da Toyota, sem exigir mudanças mecânicas ou eletrônicas. Isso reforça o potencial de funcionar como solução complementar aos veículos elétricos a bateria - sobretudo em países onde a eletrificação esbarra em obstáculos maiores do que na Europa, como a falta de infraestrutura de recarga/abastecimento ou a baixa oferta de energia renovável.
Andrew Madden, da Exxon, afirma que essa gasolina verde ainda está “em fase de teste”. Para avançar para a produção e se tornar comercialmente viável, ela precisará de apoio por meio de políticas governamentais, disse ele em entrevista à AutoNews.
Biomassa e etanol são os ingredientes
Exxon e Toyota acumulam um histórico extenso de avaliações de tecnologias alternativas para reduzir emissões no transporte - mas nem sempre os resultados foram os esperados.
A Exxon defendeu por anos o uso de algas como alternativa sustentável ao diesel, até desistir da iniciativa. Já a Toyota vem apostando pesado em veículos elétricos a hidrogênio, que, até agora, ainda não conquistaram ampla aceitação do público.
No caso desta gasolina, descrita como até 75% mais limpa do que a gasolina fóssil, a fórmula vem da combinação de insumos já existentes, como biomassa renovável e etanol obtido por processos sustentáveis.
Ter uma solução para combustíveis líquidos que possa ser utilizada na frota atual, enquadrando-a numa política que permita a inovação do mercado, é a forma mais económica de descarbonizar o transporte.
Andrew Madden, vice-presidente de estratégia e planeamento da Exxon
Solução para a Europa?
Os carros elétricos a bateria ainda encaram entraves como a disponibilidade de pontos de recarga, o tempo mais longo de carregamento e o custo elevado - especialmente nos segmentos de entrada, em que o preço pesa mais na decisão.
Além disso, eles não são totalmente neutros em carbono quando dependem da eletricidade da rede, que normalmente é gerada a partir de uma mistura de fontes, incluindo gás natural e carvão.
Na Europa, a eletrificação do setor automotivo segue avançando e, de acordo com a União Europeia, existem condições para que essa transição aconteça sem grandes sobressaltos até 2035. Esse otimismo, no entanto, contrasta com posicionamentos recentes - principalmente vindos da Alemanha.
Voltando à gasolina dessa nova geração, não parece provável que ela venha a ser a solução para a Europa. Entre as razões, o custo de produção pode inviabilizar a comercialização. Além disso, para entregar benefícios ambientais, o combustível teria de ser produzido usando energia de fontes renováveis. Ainda há muitas variáveis em aberto, sem respostas definitivas.
Fonte: AutoNews
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