Depois de o Formentor ter ajudado a consolidar a CUPRA como marca independente, com identidade própria, o CUPRA Born encara um desafio ainda maior.
Mesmo com todo o esforço de diferenciação, o Born convive com um “primo” muito próximo: o Volkswagen ID.3.
Resta saber se o primeiro CUPRA 100% elétrico consegue se afastar o bastante do modelo alemão - e, principalmente, se é visto como um CUPRA de verdade. É isso que vamos descobrir.
Ninguém fica indiferente ao CUPRA Born
Os indícios iniciais são animadores. Ao longo de vários dias com o CUPRA Born, o design foi alvo de elogios constantes.
Seja pela cor exclusiva, pelos detalhes em tom cobre ou pelo visual mais agressivo e esportivo, o Born parecia atrair atenção por onde passava, sempre com olhares presos nele.
Inclusive, durante as paradas para recarregar, mais de uma vez pessoas se aproximaram - não só por curiosidade sobre o novo modelo, mas também para elogiar suas linhas.
Na minha opinião, a CUPRA acertou ao diferenciar o Born do ID.3. Embora as proporções e a silhueta sejam muito parecidas com as do Volkswagen, o espanhol mostra personalidade própria e, ao meu ver, mais marcante do que a do alemão.
Espaçoso e com identidade
Ao entrar no CUPRA Born, uma coisa fica clara de imediato: espaço é o que não falta. Isso é mérito da plataforma MEB, que otimiza a área interna ao eliminar elementos típicos de projetos pensados para motores a combustão - como o túnel central.
Por outro lado, o posicionamento das baterias sob o assoalho o deixou um pouco mais alto do que o habitual em carros a combustão. É algo que pede certa adaptação, mas não compromete o espaço a bordo.
No porta-malas, os 385 l chegam a superar os do maior CUPRA Leon, ainda que por apenas cinco litros (380 l). Já no caso de o Leon ser híbrido plug-in, o Born fica bem à frente: o porta-malas do Leon cai para 270 l. Na prática, o Born dá conta com tranquilidade das tarefas da família - inclusive levando carrinhos de bebê.
Ainda assim, se essas características gerais do interior são compartilhadas com o Volkswagen ID.3, o mesmo não vale para os materiais. No modelo da CUPRA, eles são bem mais agradáveis e ficam “alinhados” com o padrão ao qual a marca espanhola já nos acostumou.
A montagem também merece elogios, mas a ergonomia ainda tem margem importante para evoluir: o abandono dos comandos físicos até funciona no visual, porém não é tão feliz quando chega a hora de navegar pelos menus ou mesmo ajustar a ventilação.
Dinamicamente não decepciona…
Mesmo jovem, a CUPRA vem tendo sucesso ao se firmar como uma marca capaz de criar carros interessantes de dirigir, com pegada mais esportiva - e o Born segue essa linha.
Com motor elétrico de 150 kW (204 cv) e 310 Nm nas rodas traseiras, o CUPRA Born entrega bom desempenho, aproveitando o torque instantâneo para acelerar de 0 aos 100 km/h em 7,3s.
Aliás, ao selecionar o modo “Performance”, a entrega de torque fica brusca o bastante para pegar de surpresa quem estiver distraído - ou quem ainda não está acostumado com carros elétricos.
Nas curvas, apesar da tração traseira, o CUPRA Born acaba sendo mais eficiente do que divertido. A direção é precisa, direta e comunicativa, mas não a ponto de transformar o espanhol em referência em qualquer um desses aspectos.
Por fim, a suspensão encontra um equilíbrio interessante entre conforto e comportamento, algo que fica ainda mais evidente em estradas com asfalto mais castigado - e quando lembramos que ele usa pneus de perfil baixo.
… e na eficiência também não
Se na dinâmica o Born convence por respeitar os “pergaminhos” da CUPRA, em eficiência ele chega a surpreender.
No modo “Comfort”, aparece o melhor meio-termo entre desempenho e economia, mas é no modo “Range” que quase dá para usar o Born sem nem se lembrar de que ele é elétrico.
Sem sacrificar demais as performances, esse modo ajuda a afastar quase completamente a “ansiedade de autonomia”, mesmo com a bateria de 58 kWh, como era o caso.
O ponto negativo fica por conta de existir apenas um nível de regeneração. Em outras opções elétricas, como o Kauai Electric, há mais possibilidades, o que ajuda a “esticar” a autonomia.
E já que estamos falando de alcance - e respondendo a uma pergunta deixada pelo Diogo Teixeira quando foi a Barcelona conhecer o Born em primeira mão - sim, dá para fazer consumos inferiores aos já muito bons 15,7 kWh/100 km registrados na Catalunha.
Com uma condução majoritariamente tranquila no dia a dia, foi possível encerrar o teste com média ao redor de 13,2 kWh/100 km, chegando a números tão baixos quanto 12,5 kWh/100 km.
Vale destacar que esses valores não foram obtidos em trajetos tipicamente urbanos: a maior parte dos deslocamentos ao volante do Born aconteceu em rodovias e estradas.
Este é o carro certo para você?
Somando às qualidades já reconhecidas do “primo” ID.3, o CUPRA Born traz uma diferenciação visual bem-vinda e um interior com materiais claramente mais agradáveis.
Ele é competente do ponto de vista dinâmico, mas não se distancia o suficiente do ID.3, ainda que ofereça desempenho à altura do “pedigree esportivo” da jovem marca.
Assim, o primeiro elétrico da CUPRA se coloca como uma das melhores opções para quem quer entrar na mobilidade elétrica sem abrir mão de uma experiência de condução mais diferenciada - e, no fim, acaba sendo mais do que apenas a soma das partes.
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